Ele cobra o acompanhamento, pela Assembleia Legislativa de AL, do funcionamento dos cursinhos que oferecem a conclusão do ensino médio em até 3 meses
O deputado estadual Alberto Sextafeira (PSB), líder do Governo do Estado na Assembleia Legislativa de Alagoas, utilizou a tribuna durante a sessão plenária da última terça-feira, 26, para mais uma vez criticar o que ele considera ser uma grave infração à formação de milhares de adolescentes que buscam a conclusão do ensino médio para enfim se dedicarem com afinco ao vestibular. Isso porque, segundo ele, os chamados cursinhos relâmpagos – que foram alunos em até apenas três meses – continuam a funcionar normalmente em Alagoas, sem qualquer regulação, reportando-se à reportagem veiculada em um periódico da imprensa local, que discorre sobre o assunto.
“Trouxemos o tema a esta Casa no ano passado. No último domingo, a imprensa trouxe matéria sobre o assunto, com cursos reduzindo o ensino médio e atropelando a legislação para beneficiar quem ‘se perdeu’ na escola. Por isso, reivindico que a Comissão da Educação da Assembleia tome uma posição a respeito desta grave denúncia”, comentou o deputado, que levou à tribuna alguns trechos da referida reportagem, em que o Conselho Estadual de Educação afirma não poder tomar providências porque precisaria da formalização da denúncia.
“Se isto ainda não ocorreu, precisamos fazê-lo para que evitemos maiores prejuízos. O Ministério da Educação diz que não tem a responsabilidade de averiguar a veracidade dos cursos. Quem a teria seriam os estados, por meio dos conselhos estaduais. Portanto, demos de acompanhar de processo mais de perto”, complementou o deputado, que falou aos 21 colegas de parlamento presentes à sessão.
Sextafeira recordou ainda o que, para ele, configura-se como um grande equívoco e até como propaganda enganosa. “A propaganda dos cursinhos engana parcela da população que tem o interesse por um curso mais célere, já que propaga a existência de primeiro e segundo graus, quando a nova LDB [Lei de Diretrizes e Bases] não mais utiliza estes dizeres. Eles argumentam fazê-lo porque a maioria desconheceria os novos termos, compreendidos entre ensino fundamental e médio”, avaliou o deputado, refutando o argumento dos empresários, como justificativa à ‘rapidez exagerada’.
“Segundo a referida reportagem, um dos empresários apresentou resolução do conselho estadual de Sergipe para solicitar autorização, alegando a falta de organização do conselho de Alagoas. Portanto entender o motivo da tal desorganização”, concluiu Sextafeira, sendo complementado pelo deputado Judson Cabral (PT), vice-presidente da Comissão de Educação.
“Precisamos saber que bagunça é esta. Afinal, não podemos permitir o mercantilismo do ensino por pessoas travestidas de educadores”, alfinetou o petista.
Gazetaweb - reportagem de Bruno Soriano